Coco de Umbigada: a violência e a volta por cima.

Foi com grande tristeza que li na lista da Rede Mocambos no mês Dezembro um email da Beth de Oxum do Coco de Umbigada em Guadalupe-Olinda-PE. Ela falava de um ato de covardia e violência durante a penúltima sambada:

“… em seguida volta, dando porrada em quem encontra e atira várias vezes a esmo, veio em minha direção me chamando de palavras de baixo escalão, falando que essa macumba tem que acabar, entrou na nossa tenda, quebrando seis microfones e agredindo todo mundo, inclusive a mim, me dando um murro na mão onde estava o microfone que eu falava. Nesta mesma hora fui tomada de indignação e peguei o único microfone que não havia quebrado e coloquei em alto e bom som que polícia é para quem precisa de polícia, e o que estávamos presenciando era um abuso de autoridade, e que uma pessoa com aquela reação não pode em momento algum portar uma arma, neste momento as pessoas me puxão pra dentro do ponto para que as balas não me acerte…”. Depois clique aqui para ler todo o texto da Bete.

Na ultima semana escrevi para ela pedindo notícias sobre a Sambada realizada no começo do ano dia 03/01, ela respondeu dizendo:

“… a Sambada do dia 03 de janeiro foi maravilhosa, fizemos um grande movimento pela paz e gritamos aos quatro cantos do mundo, NÃO A VIOLÊNCIA, na realidade desenvolvemos a campanha ;  DIGA SIM A SAMBADA DE COCO, DIGA NÃO A VIOLÊNCIA, vieram mais de 2 mil pessoas, todas na sintonia da cultura da paz e entendendo que os nossos terreiros, a matriz africana e as brincadeiras da cultura popular  tem um papel social importantíssimo, no pertencimento, na identidade negra e afro-descendente que temos e na difusão das brincadeiras populares…”

Eu não esperava resposta diferente dessa porque um trabalho de 10 anos não morre assim, mas confesso que fiquei emocionado! É essa força que faz das brincadeiras da cultura popular brasileira memória, história, alegria e paixão, renovadas a todo instante. Salve o Coco de umbigada de Guadalupe!

Veja o Blog do Coco de Umbigada

Ouça o Coco de Umbigada no myspace

Outro texto bacana sobre o Coco de Umbigada de Guadalupe

E: Beth tá feito e publicado o convite pra você fazer um Coco aqui em Sampa, vamos agilizar!

Escrito por marciolozano

Categorias: Entrevistas, Notícias



2 Responses to Coco de Umbigada: a violência e a volta por cima.

  1. Eliaquim says:

    No dia 7 de fevereiro quando estávamos pra fazer a segunda sambada do ano de 2009 , quando o grupo “Coco de Umbigadinha” ia começar a sua apresentação na Sambada de Coco do Guadalupe, cerca do oito viaturas das policias (Civil, Militar e de Trânsito) chegaram de um jeito muito agressivo, como se eles tivessem indo para uma guerra cercaram por todos os lados, mais agora não foi só os adultos, as crianças que participam do coco de umbigadinha também, elas ficaram com trauma a filha de Beth que tem apenas 6 anos perguntou pra ela ” se o que estava acontecendo era por que eles tenham o cabelos “Rasta” ou por que tocam coco” nós estávamos fazendo a propagação da nossa cultura que também são deles, mais o poder que o estado da para eles,eles esquecem que também são como nós humanos primeiramente . Vamos continuar com todos os projetos e vamos proteger nossas crianças e nossa Cultura de tudo e de todos que nos ofenderem.
    DE: Eliaquim S de Andrade

  2. Pingback: A violência ainda não acabou! « Bloco de Pedra

  3. Pingback: Besta Fubana » Blog Archive » POLLYANNA ARAGÃO - RECIFE-PE

  4. Valéria says:

    Olá Marcio e companheiros de batuque!
    Estive lá no coco da Beth nesse dia da sambada. Recebi esse e-mail através de um grupo de Cultura Popular do Yahoo, fiquei indignada com toda essa história e resolvi aproveitar que ia pra lá e conferir o Coco de Umbigada. No período que fiquei por lá estava tudo em paz. É muito triste mesmo saber de profissionais que tem a função de proteger a população fazendo ao contrário incentivando a violência e agressão com todo esse preconceito baixo. E ainda em pontos que incentivam e valorizam a cultura brasileira.
    Tinha muiiiiita gente, e é interessante observar que sambadas que eram feitas em terreiros e quintais hoje tomam a rua .
    Teve até participação da Dona Selma (há há …tcha tcha) Cantando “Não, não violência não”.
    Ali mesmo na comunidade deles, um protesto, uma luta contra o que muitas vezes aceitamos calados.
    Outro dia, aconteceu um outro ato de violência policial no Jongo da Serrinha que fica na periferia do Rio de Janeiro.
    Quem se interessar dê uma olhada nesse texto:
    http://www.crescereviver.org.br/cv2g1.php?id=217

    Beijo, oto tchau

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